Páginas

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Dia Mundial de Combate ao Suicídio - eu tentei ...

Hoje é dia 10 de setembro dia mundial de combate ao suicídio.

Há 4 dias eu tentei cometer suicídio, vou contar como me senti e o que me levou á isso.

Eu estou gravida de 20 semanas , mas á 5 meses atrás estava arrumando minhas malas, em meio á uma estressante rotina de final de curso e digitando um tcc (trabalho de conclusão de curso) que parecia estar todo errado, em meio há tanta confusão uma alegria, aprovação para cursas programação de jogos na cidade de Porto Alegre , Rio Grande do Sul Brasil.

Lá fomos nós eu e meu namorado Luan, de primeiro iriamos ficar na casa de um amigo cujo nos ofereceu o piso de baixo de sua casa para ficarmos, nunca imaginávamos o que nos esperaria.
Com diagnostico de distúrbio de ansiedade apos uma trágica cena de minha adolescência aos 16 anos,  onde eu provei o que era a depressão, e com tratamento parado desde então, pois era mais fácil á meus familiares me chamarem de louca e dizer que estava fazendo para chamar a atenção do que apoiar o tratamento.

Nessa primeira passagem uma grande decepção, fomos parar em uma casa problemática, onde o lugar que nos ofereceram não tinha nem como passar um dia, faltava alimento, faltava descanso.
O cheiro de cigarro misturado com sujeira e fezes de gatos impregnado  no ar piorava ainda mais a situação, sem comer e sem dormir direito, me habituando com o ar da cidade que era um tanto poluído, sofria de dores no peito, na cabeça e toda noite eu saia para chorar , e me perguntar onde fui me meter, todo os dias á mesma coisa.
Mas no fundo pensava um dia eu vou passar por cima de tudo isso e vou conseguir seguir em frente, mas não foi bem assim.

N a mesma cidade morava a avó do meu namorado, ele sempre me avisava , se aqui esta te enlouquecendo , lá vai ser pior. Mas eu não aguentava mais ficar naquele lugar peguei o ônibus em missão de voltar para casa, mas a falta de ar e o sofrimento fizeram me parar no caminho e pedir ajuda á essa senhora que de passagem parecia ser uma pessoa compreensível e de coração bom. Ai que eu me enganei.
Passei um mês e pouco na casa dela o suficiente para entrar em crise e tentar suicídio.
Não foi por falta de trabalho, porque eu acordava ás 6 horas da manhã para estudar chegava as 13 horas para almoçar, mas aquele almoço regado de reclamações do meu namorado, como se eu tivesse culpa que ele ele deixou a roupa atirada no chão ou também que sujou á pia ao fazer a barba as pressas pelo atraso de dormir de mais.

Depois da trágica pausa para me alimentar eu ia trabalhar, me sentia útil,  me sentia bem, uma equipe entusiasmada , cada um com seu gênio forte mas todos bem alegres, exalando carisma.
e lá ficava eu até as 23 horas, quando chegava em casa ás vezes o Luan já estava em casa as vezes ele trabalhava até mais tarde, dependia o dia, eu chegava exausta só queria tomar banho comer, pois estava faminta, e dormir.
Muitas vezes não sei se de proposito achava a comida no lixo e as panelas vazias, e sentia uma dor, não sei se era na alma como dizem, mas era uma dor no peito, como se me rasgasse no meio.
Nas sextas feiras eu não tinha aula , podia dormir até meio dia para recuperar as horas de sono, mas eu sempre acordava ás 9 da manhã e ficava na cama ouvindo as ligações e os comentários sobre mim, do qual me chamavam de vagabunda, preguiçosa. Também criticava porque ás vezes por estar caindo em sono eu não limpava o fogão, ou as panelas.

Não se tem noção o quanto podemos nos tornar insuportáveis quando estamos magoados, comecei a descontar no Luan, que lá no fundo tinha também sua participação para piorar as coisas. E as relações ficaram cada vez piores.

Um dia eu acordei e não tinha o que tomar, pois o leite que eu comprara na noite anterior não estava mais lá. Como eu ia pra escola sem comer? então coloquei minhas coisas na mala , olhei para o luan e disse eu estou indo embora .

Quando cheguei em casa outro inferno, me sentia um fracasso, pior ainda quando descobri que estava gravida depois de uma gripe que me deixou uma semana de cama, eu tentava explicar para o luan sobre a gravidez e fui nomeada de louca, mentirosa e falsaria .

Eu fiquei quase um mês trancada no meu quarto sem me alimentar, estava com 2 meses e meio de gestação, eu me sentia perdida, sem ter pra onde ir, ou também pode-se dizer que estava sem chão.
Então eu tomei um monte de remédios e nada, eu fiquei com medo, triste...
Toda vez que eu falava com o luan era uma briga total, fiz o teste de farmácia e enviei uma fotos, ele disse que era montagem, como eu iria provar ?!

Então eu fui á Porto Alegre e fiz o teste na frente dele , e foi assim que reconciliamos, mas naquelas.
Eu já o conhecia pra mais de ano, sabia como era e como agia. sabia que a qualquer momento que eu tivesse um problema ele iria me mandar embora. e se eu não tivesse pra onde ir?

 Eu já sabia, mas mesmo assim o dei uma segunda chance, anunciei á família a noticia e ai começou o segundo inferno, não pela família mas pelos vizinhos perguntando se eu tava dando golpe da barriga, pois o pai de criação dele tem dinheiro e plantações, perguntando se eu tinha certeza que ele era o pai.
Caí em depressão novamente , ao saber o que as pessoas pensavam de mim, era essa a imagem que eu passava?
nós estávamos juntos desde 2012 , com uns 3 meses de separação e outros relacionamentos , mas já fazia mais de um ano que tínhamos voltado, eu me afundei novamente queria muito ir embora fugir disso tudo.

O pai do luan deu uma casa pra ele, um pequena e jeitosa casa, muito confortável para um casal e um bebe, novos planos , compras para casa, novas experiencias.

Mas também novas decepções, luan desenvolveu também distúrbio da ansiedade , mas seus ataques era diferentes dos meus, sentia dores, e a qualquer irritação ele se atacava , e ai foi que eu cai no abismo da depressão novamente, com a gravides eu fiquei totalmente bipolar, meus hormônios enlouqueceram de vez, e um certo dia eu fui grosseira com ele e ele me respondeu no mesmo tom e me ofendeu, não quis discutir e sai de perto pra evitar uma briga.

não deu 5 min estávamos correndo para o hospital, eu tava tão apavorada, não tinha comido direito, acho que fiquei branca igual a um papel, mas isso não é nada.
Piorou quando ele começou a dizer, eu quero que você vá embora, você fez eu ficar assim, eu to doente por sua culpa, você é a culpada.

no outro dia o mesmo assunto, levei-o até o hospital onde teve acompanhamento psiquiátrico, no qual ele ligou pra sua excelentíssima mãe da qual eu não vou com a cara, e disse que a culpa era minha, que eu o deixava doente.
Pronto foi ai o começo da picada, depois veio a demissão do emprego, e eu me afundei mais e mais, eu conversei com ele falando que iria embora, pois não estava feliz ali, eu avisei.
Arrumei ás malas e ele pedia pra eu ficar mais um poco , mil promessas, eu sabia que não podia ficar ali, eu tentei avisar que eu tava doente, mas não fui ouvida.

Sim, eu tentei, foi sábado, tomei 4 remédios calmantes e um tanto de rivotril nem sei quantos mas eu menti pro medico para ele me liberar , pois eu coloquei uma cartela inteira na mão e na hora de colocar na boca derrubei a metade pois já estava sedada pelo calmante.

Eu não mexia as pernas de primeiro momento, e senti dormir, não conseguia abrir os olhos e eu gritava mas não saia voz alguma, eu ouvia o luan chorar porque não conseguia ninguém, ouvia ele gritar me chamando de loca e dizendo pra eu ir embora dali, que ele não aguentava mais. Imagina se ele não aguentava , e eu que fiz isso? será que pra mim tava de boa a situação?
eu senti pessoas estranhas entrares e me deram água na boca ai eu consegui falar, pedi mais.
Mexi os dedos...
fui para o hospital, me levaram para o Centro Obstétrico, a enfermeira fico agitava quando não conseguiu escutar o coração do bebe, mais tarde o medico chegou e conseguiu escutar.
depois o luan entrou na sala, com uma cara de cachorro pidão, dizendo que eu tava inconsciente quando ele me achou que eu ate ri, depois eu comecei a babar um negócio branco.

Depois disso ele não trocou palavras comigo, ficou em silencio ate em casa, me pôs para dormir e foi jogar no computador, dormi rápido por causa do efeito dos remédios,
acordei era 3 da manhã , ele veio me questionar porque eu tinha feito, porque eu queria me matar, não tinha como explicar a dor que eu estou sentindo , não teve como, falei qualquer coisa pra me ver livre.

No outro dia passei normal, comi pouco, trocamos poucas palavras ...
segunda feira, eu vi que eu tava muito mal , eu precisava sair, precisava conversar, precisava de um abraço, a dor me corroía, dilatava , despedaçava por dentro, era como se arrancassem minhas unhas, me enchessem de alfinetes eu chorrei, chorrei, sentada no banheiro, eu chorava porque me doía, me levou pra cama eu chorei até me faltar o ar, precisava de um abraço forte, mas não tive, eu tava pedindo socorro por lagrimas e grunhidos , então se sessou o choro, o vazio apareceu, e eu me senti com raiva , fui jogar também ja que não havia sido atendida, meu socorro não havia sido ouvido, eu puxava um assunto pra aliviar a tensão mas não era respondida. Era como se eu não existisse ali.
então eu dormi, acordei com muita dor , e muita fome queria pão, eu o pedi para comprar pão e ele me mandou se foder , eu tava com dor , com raiva e desmaiando de fome, eu surtei a raiva me dominava , tinha um copo na pia eu o atirei na parede e me senti tão frágil que voltei a chorar, comendo uma bolacha pois sentia minhas pernas tremulares pela fome , ele chegou falando grosseiramente me tomou a bolacha da mão mandou eu deitar, eu queria comer , foi quando eu me descontrolei e comecei a gritar, eu tava com fome, tava exausta, então eu voltei pra casa, desde ás 3 horas da manha ate as 5 da tarde com um pastel e água no estomago.

Estou esperando para iniciar o tratamento, peço perdão por ter feio-o sofrer, mas eu pedi ajuda, eu pedi socorro, quem tenta suicídio pede ajuda, por que não consegue falar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário